A Paraíba registrou 16.417 atendimentos por agressões de animais potencialmente transmissores da raiva entre janeiro e 5 de outubro de 2026. O total é 5,2% maior que o registrado no mesmo período de 2025, quando houve 15.604 notificações — uma diferença de 813 casos, segundo a Secretaria de Estado da Saúde da Paraíba (SES-PB).
Na terça-feira (6), a secretaria divulgou uma nota informativa com orientações sobre como agir após mordidas, arranhões ou outras possíveis exposições ao vírus. O documento também relaciona os serviços de referência para administração do soro antirrábico no estado.
Ao longo de 2025, foram registrados 20.228 atendimentos antirrábicos na Paraíba. Nos dois períodos analisados, as 1ª, 6ª e 16ª Regiões de Saúde concentraram os maiores números de notificações.
Entre as pessoas atendidas até 5 de outubro deste ano, 8.535 eram homens e 7.880 eram mulheres.
Risco de raiva exige avaliação de saúde
A raiva é uma infecção viral aguda que afeta o sistema nervoso dos mamíferos. A transmissão para seres humanos pode ocorrer por mordidas, arranhões ou lambeduras de animais infectados. A letalidade da doença é próxima de 100%, por isso é importante buscar orientação após uma possível exposição.
Cães e gatos podem transmitir a doença, assim como animais silvestres — entre eles morcegos, raposas e primatas — e animais de produção, como bovinos, equinos, suínos e caprinos.
O chefe da Área Técnica do Núcleo de Controle de Zoonoses da SES-PB, Assis Azevedo, orienta que a população procure um serviço de saúde mesmo quando o ferimento parece pequeno.
A recomendação inicial é lavar imediatamente o local com água e sabão e, em seguida, buscar atendimento para que profissionais avaliem o risco e indiquem se há necessidade de vacina e soro antirrábico. Nem toda agressão exige esses imunizantes; a decisão depende da avaliação profissional.
Cuidados após a agressão
Na unidade de saúde, a equipe avalia o ferimento, a espécie do animal, sua condição clínica e se ele pode ser mantido em observação.
Quando cães ou gatos envolvidos na agressão podem ser acompanhados, eles devem ficar em observação por 10 dias. Se permanecerem vivos e saudáveis durante todo esse período, a conduta poderá ser encerrada, conforme avaliação do serviço de saúde. Se o animal morrer, desaparecer ou apresentar sinais compatíveis com raiva, a necessidade de profilaxia deve ser reavaliada.
Acidentes com morcegos e outros mamíferos silvestres são considerados de alto risco e requerem avaliação imediata para verificar se é preciso iniciar a profilaxia pós-exposição. A orientação é não capturar nem manipular esses animais.
Se um morcego ou outro animal silvestre for encontrado dentro de casa, especialmente caído, morto ou com comportamento incomum, a população deve acionar o serviço municipal responsável pelo controle de zoonoses.
Vacina e soro antirrábico
A profilaxia pós-exposição busca impedir que o vírus alcance o sistema nervoso central. Quando indicada, pode incluir vacina antirrábica, com ou sem soro antirrábico ou imunoglobulina humana antirrábica.
O esquema de vacinação recomendado pela SES-PB prevê quatro doses, aplicadas nos dias 0, 3, 7 e 14. Se houver indicação, o tratamento deve começar o mais rápido possível e não deve ser adiado caso o soro esteja temporariamente indisponível.
O soro antirrábico e a imunoglobulina humana antirrábica fornecem anticorpos que ajudam a neutralizar o vírus no local da exposição. A vacina estimula a resposta imunológica. Quando indicados, esses recursos devem ser administrados o quanto antes, preferencialmente no primeiro atendimento e, conforme as orientações vigentes, em até sete dias após a primeira dose da vacina.
Como prevenir
A SES-PB recomenda manter cães e gatos vacinados contra a raiva, usar coleira e guia nos passeios e evitar que animais domésticos tenham contato com bichos desconhecidos, feridos ou doentes.
Também é importante evitar contato com animais silvestres e não tentar tocá-los, capturá-los, manipulá-los ou alimentá-los. Em caso de mordida, arranhão ou lambedura com possível exposição ao vírus, lave o local imediatamente com água e sabão e procure atendimento de saúde sem demora.
Onde tomar o soro antirrábico na Paraíba
De acordo com a SES-PB, os serviços de referência para administração do soro estão distribuídos pelas três macrorregiões de saúde.
João Pessoa
Hospital da Polícia Militar General Edson Ramalho, em Tambiá. Telefone: (83) 3211-7175.
Centro de Referência de Imunobiológicos Especiais (CRIE), em Jaguaribe. Telefone: (83) 3218-5779.
Campina Grande e região
Hospital Regional de Emergência e Trauma Dom Luiz Gonzaga Fernandes, no bairro Malvinas, em Campina Grande. Telefone: (83) 3310-5850.
Hospital e Maternidade Santa Filomena, em Monteiro. Telefone: (83) 3351-2204.
Sertão
Hospital Regional Deputado Janduhy Carneiro, em Patos. Telefone: (83) 3423-2762.
Hospital Deputado Manoel Gonçalves de Abrantes, em Sousa. Telefone: (83) 3522-2774.
Hospital Regional de Cajazeiras, em Cajazeiras. Telefones: (83) 3531-3563 e (83) 3531-2736.






