Em texto de despedida, o jornalista Silvio Osias relembra a trajetória de Marcos dos Anjos Pires Bezerra, conhecido como Marcos Pires, que tinha 71 anos. Advogado e figura pública de João Pessoa, ele era filho dos comerciantes Adrião e Creuza Pires.
Marcos cresceu na casa da família, na Avenida Epitácio Pessoa. Na década de 1960, quando a cidade ainda não tinha bons hotéis, a residência recebeu hóspedes como o presidente Castelo Branco, o cantor Roberto Carlos e o poeta Vinícius de Moraes.
Osias conta que conheceu Marcos em 1975, quando conversaram sobre cinema. Aos 20 anos, ele estava entusiasmado com o filme Alice Não Mora Mais Aqui, de Martin Scorsese.
Os pais de Marcos fundaram o Gran Pires, descrito por Osias como a primeira grande loja de departamentos de João Pessoa. O estabelecimento ficava na região da Lagoa e tinha escada rolante.
Após problemas financeiros na família, Marcos estudou Direito e se destacou como advogado. Também gostava de caminhar ao amanhecer, correr maratonas, tomar café em uma padaria de Tambaú, tocar piano, viajar e participar do carnaval à frente do bloco A Baratona. Escrevia crônicas confessionais e gostava de contar histórias.
Em 14 de abril de 1976, no Rio de Janeiro, Marcos testemunhou da varanda do prédio onde morava o acidente de carro que matou a estilista Zuzu Angel. Segundo o relato de Osias, ela lutava para esclarecer o desaparecimento do filho, Stuart Angel, e foi assassinada pela ditadura militar por essa luta.
Osias destaca a facilidade de Marcos para fazer amigos e sua generosidade com eles. O jornalista lembra que recebeu ajuda do advogado em uma ação movida pelo compositor Vital Farias e cita também os telefonemas e os discos que Marcos prometia dar de presente.





