O movimento apartidário Voto 70+ promove a campanha Vovó Vota para incentivar pessoas com mais de 70 anos a comparecer às urnas no segundo turno, no próximo domingo (25). A iniciativa busca aproximar avós e netas e reforçar que quem não votou no primeiro turno pode participar da votação seguinte.
O Brasil tem cerca de 16 milhões de eleitores com mais de 70 anos, o equivalente a 10,6% do eleitorado. Desde a Constituição de 1988, o voto é facultativo para essa faixa etária.
Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a abstenção entre eleitores com mais de 70 anos foi de 49,1% no primeiro turno de 2026, ante 58,8% em 2022. O Movimento Voto 70+ aponta uma queda de quase dez pontos percentuais.
Participação e direitos
Na comunidade de Ludovico, em Lago do Junco, no Maranhão, Maria Alaídes Alves de Souza, de 71 anos, percorreu 600 metros para votar em 4 de outubro. Ela também conversa com moradoras de outras comunidades da região para estimular a participação eleitoral.
“A gente busca motivar explicando que é muito importante a pessoa registrar o seu voto. Ninguém pode desanimar”, afirma Maria Alaídes, que integra um movimento interestadual de quebradeiras de coco. Para ela, a participação popular contribui para a conquista de direitos e políticas públicas.
Em Orizona, a 130 quilômetros de Goiânia, Maria Albino Costa, de 85 anos, não votou no primeiro turno porque considerou difícil acompanhar os números de tantos cargos. Como no segundo turno a escolha será apenas para presidente, ela diz que irá às urnas com a filha e a neta.
Já a professora aposentada Maria José Cantarelli, de 80 anos, moradora de Olinda (PE), não votava havia 12 anos. Ela conta que decidiu participar desta vez após conversar com os filhos e a neta, apesar de sentir receio diante do clima de acirramento e violência. Para votar no dia 25, baixou o aplicativo e-Título.
Acessibilidade nos locais de votação
Eleitoras ouvidas pela reportagem também relataram dificuldades no primeiro turno. No Rio de Janeiro, Prazeres Maria da Silva Antunes, de 72 anos, enfrentou filas longas. Em São Paulo, Beatriz Cintra Labaki, de 79 anos, precisou subir escadas no local de votação e contou com a ajuda do filho.
Uma resolução do TSE prevê atendimento prioritário para pessoas idosas, sem necessidade de aguardar na fila comum, além de medidas de acessibilidade para garantir autonomia e segurança durante a votação.
Em Nova Iorque, no Maranhão, Francisca Barroso Monteiro, de 84 anos, relaciona o direito ao voto à possibilidade de defender melhores condições para as famílias. No Rio de Janeiro, Suely Mendonça, de 79 anos, lembra a importância de poder escolher representantes após o período em que a população não pôde eleger o presidente por mais de duas décadas.





