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Outubro Rosa: medo da volta do câncer pode persistir após o tratamento

Especialistas e paciente destacam que o fim da quimioterapia e da radioterapia não encerra necessariamente os desafios emocionais e físicos do câncer de mama.

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Outubro Rosa: medo da volta do câncer pode persistir após o tratamento
© Tomaz Silva/Agência Brasil

O fim do tratamento do câncer de mama nem sempre encerra o medo de a doença voltar. Durante o Outubro Rosa, especialistas e pacientes chamam atenção para os desafios emocionais e físicos que podem permanecer após a quimioterapia e a radioterapia.

A psicóloga clínica Laís Mutuberria Vieira afirma que, enquanto familiares e amigos celebram a remissão e esperam a retomada da rotina, muitas mulheres ainda lidam com inseguranças e mudanças. “A última sessão de quimioterapia ou radioterapia pode marcar o fim de um tratamento, mas não o cuidado com essa mulher, que ainda precisa continuar”, diz.

Segundo Laís, o acompanhamento médico segue importante, assim como o apoio emocional, que deve respeitar o ritmo de cada paciente. Exames de rotina, dores ou outras alterações podem despertar o receio de reincidência. Ela também observa que algumas mulheres continuam usando medicação por até cinco anos e podem sentir fadiga e outros efeitos do tratamento.

As consequências podem incluir cicatrizes, perda ou reconstrução da mama e mudanças na sexualidade, na autoestima e na disposição para atividades diárias. Laís afirma que essas transformações podem afetar a forma como a mulher se reconhece e se relaciona com a intimidade.

Apoio durante e depois do tratamento

Renata Reis Pinto, médica mastologista e radiologista com atuação no Instituto Nacional de Câncer (Inca), afirma que o câncer de mama ainda é cercado por estigmas e pode ser visto como uma sentença de morte. Para ela, oferecer espaço para a paciente falar sobre suas preocupações é importante também para a evolução do tratamento.

Renata defende o atendimento multidisciplinar, com participação de assistente social para ajudar em questões como cuidados com os filhos e dificuldades relacionadas ao trabalho. Ela também destaca a importância da psico-oncologia para avaliar a intensidade do medo e a necessidade de medicação.

Josiane Fernandes, de 48 anos, moradora de Volta Redonda, no sul fluminense, descobriu um nódulo na mama esquerda no início de 2025. Em março daquele ano, confirmou o diagnóstico e iniciou o tratamento. A cirurgia, a quimioterapia e a imunoterapia duraram cerca de um ano e três meses. Durante esse período, ela entrou em depressão e precisou de tratamento.

Após o fim do tratamento, Josiane continua em acompanhamento médico. “O tratamento pode terminar, mas o medo nem sempre termina junto. Até hoje, numa consulta de rotina, num exame, eu entro em pânico. Parece que volta tudo o que eu vivi”, relata. Para ela, o cuidado deve continuar no pós-tratamento: “Existe vida depois do câncer, mas essa vida precisa ser reconstruída”.

Estimativa de casos

De acordo com a estimativa do Inca para 2026, o câncer de mama é o tumor mais incidente entre as mulheres, com 30% dos casos. Para cada ano do triênio de 2026 a 2028, são estimados 78.610 novos casos no Brasil, com risco de 71,57 casos a cada 100 mil mulheres.

TRANSPARÊNCIA EDITORIAL

Esta matéria utiliza como referência Agência Brasil - Últimas Notícias. O conteúdo publicado no Blog do Muído pode ter título e redação adaptados ao padrão editorial do portal, preservando os fatos informados pela fonte.

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